"Nem todos estão à vontade com a ideia de que a política é um vício. Mas é. Eles são viciados e mentem e enganam e roubam como fazem todos os junkies." - Hunter Stockton Thompson

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domingo, 13 de março de 2011

O dia seguinte ao Sobressalto Cívico

"E o Povo, pá?"

As condições estavam reunidas: A nação está à rasca, a Manifestação estava marcada e com sinais de uma adesão forte e relevante. Uns dias antes, na tomada de posse, Cavaco Silva tinha feito um discurso de circunstância, calculista e altamente estratégico, devido à conjuntura. A cereja no topo do bolo foi o anúncio do PEC IV, no dia anterior ao dia do protesto, com os seus ingredientes a revelarem a chacina que este Governo está a fazer ao Estado Social e a acentuar ainda mais a dependência a Bruxelas - tudo o que é decidido em relação ao país são os outros que decidem e este Governo limita-se a obedecer (o FMI nem precisa de cá vir)…
Tudo a postos, a malta compareceu em massa e juntou-se para confraternizar, berraram-se umas palavras de ordem, cantaram e tocaram umas músicas de reportório "interventivo". No caso de Lisboa, desceu-se a Avenida num ritmo a raiar o carnavalesco polvilhado de episódios de alguma imaturidade e desembocou-se no Rossio e… então e agora, pá??? (Se calhar ainda é cedo para perguntar).

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A pseudo-manif

Nos últimos dias ouvi uns zunzuns, correu uma boataria que dentro das redes sociais se estava a organizar uma mega-manifestação contra o Governo, quiçá, embalados pela melodia dos Deolinda, impulsionados e inflamados pelos recentes acontecimentos no Egipto. Curioso, resolvi dar uma volta por alguns sítios e pelo meio ia-me questionando: porquê agora? Ok, nesta altura do campeonato, qualquer momento é óptimo para nos manifestarmos ou fazermos uma revolução. Mas, nada me pareceu estranho ou invulgar... Mais do mesmo, a calmaria dos (nossos) brandos costumes!
Ainda há relativamente pouco tempo houve uma manifestação que impressionou pelo número de participantes, mas que aparentemente nada mudou. Antes pelo contrário, Sócrates e o seu séquito ministerial desceram o bastão da austeridade em cima de nós. A cada hora que passa as coisas pioram ainda mais.
Enfim, somos um país de opinion-makers, onde eu me incluo, que se desfaz em teorias, que esmiúça até à exaustão, estrebucha de indignação, que cria burocracias até naquilo que especula! A prática, com resultados práticos e eficazes, fica sempre adiada, esquecida pelo tempo que se perdeu na teorização e com o medo de se arriscar.